O lugar e seus fantasmas

Conseguir é neste diário um dos verbos mais usados, pois tudo é esforço e pertinaz resiliência. Em redor, o mundo de todos os outros amiúde convida a desistir. 
Poderia ter tido uma profissão, obrigatória porque necessária, por razões minhas ou pelo sustento dos deveres que se trazem a este mundo, o que me trouxe aqui, e foi; teria sido possível esquecê-la tivesse gerido a vida de modo a  tornar em liberdade quanto fora sujeição.
Ao não o ter conseguido o para tantos óbvio, resta agora não supor objectivos aquém do possível e viver rejeitando precisamente essa ideia miserável de sobreviver do remanescente. E sofrer com isso a angústia das noites sobrecarregadas após um um dia arcando deveres. Todos os dias.
Olhando hoje em redor, perdido o quotidiano de quem foi aqui preceptor de dois indomáveis adolescentes,  recuperado do espaço o domínio e do tempo todas as possibilidades, hesito ao primeiro umbral de porta, como se a penumbra de reposteiros coasse do lugar os seus fantasmas e do belo restasse, pelo abandono, a depredação.