A relutância e o pesar

O regressar de férias tem nesta casa uma ambiência de feira que contrasta com a solenidade em murmúrio dos dias de Outono. É o subir e descer escadas, ofegante a respiração, o bater de portas pelas correntes de ar, o gritar para baixo, porque não se ouve, a voz esganiçada.
Recolho-me no meu cubículo, reservando-me. Talvez a vontade forçada de dormir servisse de refúgio, assim eu tivesse sono.
Este ano talvez regressam mais barulhentos, embora seja este o meu primeiro fim de Verão aqui.
«Que tal foram as suas férias nesta masmorra?», perguntou-me Madame, como se insinuando que, na sua ausência, lhe tivesse desventrado da alcova as intimidades.
«Li», respondi, lutando comigo mesmo, como se a confirmar-lhe, relutante, ter descoberto algum diário seu de intimidades, ou cartas de que deveria guardar recato.
Era isso e o «espero que tenha gostado», com que me atravessou, maliciosa, a resposta, tornou certo o que não fazia dúvida, as que guardava, esconsas, num canto da mesinha do toucador.