Uma forma de dizer que sim


Não era propriamente a ideia mas sim a sensação, aquele conglomerado de sons e de cheiros e de flagrantes luminosidades, estridências e os areais desérticos, que me davam da praia a noção do horror até à hora de entardecer. 
Ardências cutâneas que incluindo a alma me tornavam o ser numa erupção virulenta e a sede que, como um nó, me esganava a garganta; e mais do que tudo isso, sobretudo, a imobilidade do tempo, estático naquele espaço confinado. E as hordas de vagos passeantes, sem nexo ou tino, por entre os corpos semeados, num ir e vir como o marulhar do gélido mar. 
Inferno de assador, churrasco humano, ódio contido ao que conservava das formas a perfeição primordial, debatia-me, sem lá ter ido, ante o estalar da cabeça, dardejada pelo Sol, e a areia insidiosa, intersticial, renitente entre as unhas dos pés.
Hoje fui. Regresso do extenso areal a dizer que sim, que é uma forma de voltar ao céu azul e à purificação marítima. Banhei-me na realidade e bronzeei-me com a experiência.